O teísmo aberto também conhecido como teologia relacional, é uma corrente teológica que propõe uma abordagem peculiar sobre a natureza de Deus e o livre-arbítrio humano. No entanto, essa doutrina tem sido objeto de controvérsias e críticas, principalmente devido às suas implicações sobre a onisciência, onipotência e onipresença divinas. Neste artigo, exploraremos as heresias, distorções e perigos do teísmo aberto sob a perspectiva das Escrituras bíblicas.
O Teísmo Aberto em Resumo:
O teísmo aberto postula que Deus, em sua relação com a criação, não possui conhecimento prévio das escolhas humanas livres e que o futuro é, em grande parte, aberto e incerto para Ele. De acordo com essa visão, Deus não apenas concede liberdade genuína ao homem, mas também se limita e se adapta às escolhas feitas por Ele.
Heresias e Distorções:
Limitação da Onisciência Divina: O teísmo aberto coloca em questão a onisciência de Deus ao afirmar que Ele não conhece antecipadamente as escolhas humanas. No entanto, essa ideia entra em conflito com diversas passagens bíblicas que afirmam o conhecimento prévio de Deus sobre eventos futuros (Isaías 46:10, Jeremias 1:5).
Desafio à Onipotência Divina: A crença de que Deus limita sua presciência em relação ao futuro e se adapta às escolhas humanas pode implicar que Ele não possui controle absoluto sobre os acontecimentos. No entanto, a Bíblia afirma consistentemente a soberania divina sobre a criação (Salmo 135:6, Provérbios 21:1).
Minimização da Onipresença Divina: O teísmo aberto sugere que Deus não está presente em todos os lugares ao mesmo tempo, pois não teria conhecimento de cada ação individual. Entretanto, a Escritura ressalta que Deus é onipresente, estando presente em todos os lugares e em todos os momentos (Salmo 139:7-10, Jeremias 23:23-24).
Aqui menciono mais citações bíblicas que refutam as ideias centrais do teísmo aberto:
Onisciência Divina:
Isaías 46:10: "Declaro o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não aconteceram; que digo: o meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade."
Jeremias 1:5: "Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; e, antes de saíres da madre, santifiquei-te e te consagrei como profeta às nações."
Atos 15:18: "Conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras."
Hebreus 4:13: "E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas."
Onipotência Divina:
Salmo 135:6: "Tudo o que o SENHOR deseja, ele o faz, nos céus e na terra, nos mares e em todos os abismos."
Provérbios 21:1: "O coração do rei é como canais de água nas mãos do SENHOR; ele o dirige para onde quer."
Colossenses 1:16-17: "Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste."
Efésios 1:11: "Nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade."
Onipresença Divina:
Salmo 139:7-10: "Para onde poderia eu escapar do teu Espírito? Para onde poderia fugir da tua presença? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também. Se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, mesmo ali a tua mão direita me guiará e me susterá."
Jeremias 23:23-24: "Sou eu apenas um Deus de perto, diz o SENHOR, e não também um Deus de longe? Acaso alguém se esconderá em esconderijos, de modo que eu não o veja? - diz o SENHOR. Não encho eu os céus e a terra? - diz o SENHOR."
Mateus 18:20: "Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles."
Mateus 28:20: "E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século."
Essas passagens bíblicas ressaltam a onisciência, onipotência e onipresença de Deus, contrapondo as ideias do teísmo aberto. Elas afirmam que Deus conhece o futuro, controla os eventos e está presente em todos os lugares. Portanto, as doutrinas centrais do teísmo aberto, que diminuem o conhecimento, o poder e a presença divina, estão em desacordo com as verdades fundamentais da Bíblia.
Perigos Teológicos e Práticos:
Redução da Natureza Divina: O teísmo aberto tende a diminuir a transcendência e a majestade de Deus, ao retratá-Lo como limitado em conhecimento e poder. Isso pode minar a adoração e a reverência devida ao Criador.
Minimização do Pecado: Ao sugerir que Deus não prevê o mal e o pecado humanos, o teísmo aberto enfraquece a realidade do pecado e de sua gravidade diante de Deus. Isso pode levar a uma visão superficial da necessidade do perdão e da salvação.
Incerteza da Esperança: A ideia de que o futuro é incerto para Deus pode gerar incertezas na esperança cristã, uma vez que a promessa da eternidade e da vida após a morte pode ser questionada.
Conclusão:
Embora o teísmo aberto apresente uma perspectiva única sobre a relação entre Deus e o homem, suas heresias, distorções e perigos não podem ser ignorados. À luz das Escrituras, essa doutrina entra em conflito com a compreensão tradicional da natureza divina e das relações entre Deus e a humanidade. É crucial que os cristãos avaliem cuidadosamente as implicações teológicas de tais visões à luz das verdades fundamentais da Palavra de Deus.
Diogo J. Soares