A Questão do Dízimo: Do Antigo ao Novo Testamento





A prática do dízimo é uma parte significativa da história religiosa, especialmente dentro do contexto judaico-cristão. Neste artigo iremos fazer uma breve abordagem acerca da ordem, prática e finalidade do dízimo no Antigo Testamento, destacando como essa prática foi abolida com a vinda de Cristo e a inauguração da Nova Aliança no Novo Testamento.

Ordem do Dízimo no Antigo Testamento:
1. Origens do Dízimo: As raízes do dízimo podem ser rastreadas até os tempos de Abraão, conforme registrado em Gênesis 14:20, quando ele deu o dízimo de tudo a Melquisedeque. Isso estabeleceu um precedente inicial para a prática.

2. Regulamentações da Lei Mosaica: O dízimo foi formalmente incorporado à Lei Mosaica. Em Levítico 27:30-32, lemos: "Todo o dízimo da terra, tanto dos cereais como das frutas, pertence ao Senhor; é consagrado ao Senhor."

3. Finalidade do Dízimo: O dízimo tinha várias finalidades no Antigo Testamento. Em Números 18:21, Deus instrui: "E eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo ministério que executam, o ministério da tenda da congregação."

Prática do Dízimo no Antigo Testamento:
1. Agricultura e Rebanho: O dízimo era normalmente uma décima parte dos produtos agrícolas e do gado que o povo de Israel produzia, como indicado em Levítico 27:32.

2. Dízimo da Melhor Parte: Era esperado que o dízimo consistisse na melhor parte dos recursos, simbolizando a dedicação e a honra a Deus, conforme visto em Levítico 27:30.

3. Dízimo em Festivais: Além do dízimo regular, havia dízimos especiais dados durante festivais religiosos, como a Festa das Primícias (Êxodo 23:19).

Finalidade do Dízimo no Antigo Testamento:
1. Sustentação do Templo: Uma parte significativa do dízimo foi dedicada à manutenção do Templo de Jerusalém, onde ocorriam os cultos religiosos e os rituais, como em 2 Crônicas 31:4-5.

2. Sustento dos Levitas: Os levitas, que serviam no Templo e desempenhavam funções religiosas, dependiam do dízimo para seu sustento, já que não possuíam terras para cultivar, conforme Números 18:24.

3. Cuidado dos Vulneráveis: Uma porção do dízimo era reservada para cuidar dos necessitados, incluindo órfãos, viúvas e estrangeiros, demonstrando a compaixão social da Lei, como visto em Deuteronômio 14:28-29.


A Abolição do Dízimo no Novo Testamento:
1. A Vinda de Cristo: A vinda do Senhor Jesus Cristo marcou um ponto crucial na história da Revelação. Ele trouxe uma nova compreensão espiritual que não estava centrada em rituais e práticas legais, incluindo o dízimo.

2. A Nova Aliança: Com a Nova Aliança que Cristo estabeleceu, as antigas práticas, incluindo o dízimo, foram substituídas por um foco na fé, graça e relacionamento pessoal com Deus (Hebreus 8:6-7).

3. Enfoque na Generosidade: O Novo Testamento enfatiza a generosidade voluntária, encorajando os crentes a dar de acordo com seus corações, sem regras rígidas como a do dízimo estabelecida no AT. (2 Coríntios 9:6-7).

Conclusão:
Portanto, a prática do dízimo, que teve uma ordem transitória, prática e finalidade bem definidas no Antigo Testamento, passou por uma transformação significativa com a vinda de Cristo e a inauguração da Nova Aliança e da Graça no Novo Testamento. Hoje, a ênfase está na generosidade voluntária e no relacionamento pessoal com Deus, em vez de regras legais estritas. Entender essa evolução é fundamental para compreender a rica história espiritual do dízimo no contexto religioso e cristão nos dias atuais, a afim de não cairmos no engano propagado por muitos falsos mestres, que se utilizam das Escrituras Sagradas fora do seu contexto, afim de capitanear benefícios e enriquecimento ilícito em cima da fé alheia.

Diogo J. Soares
DIOGO J. SOARES

Doutor (Ph.D.) em Novo Testamento pelo Seminário Bíblico de São Paulo/SP (FETSB); Mestre (M.A.) em Teologia e Estudos Bíblicos pela Faculdade Teológica Integrada e graduado (Th.B.) pelo Seminário Unido do Rio de Janeiro. Possuí Especialização em Ciências Bíblicas e Interpretação pelo Seminário Teológico Filadelfia/PR (SETEFI). Bacharel (B.A.) em História Antiga, Social e Comparada pela Universidade de Uberaba (UNIUBE/MG). É teólogo, biblista, historiador e apologista cristão.

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