A doutrina do "Estado Intermediário" é uma das questões mais discutidas na teologia cristã, especialmente no que diz respeito ao destino da alma após a morte física, mas antes da ressurreição final. Esse conceito se refere ao estado consciente da alma entre a morte e o julgamento final. Por este artigo, vamos analisar a doutrina à luz da Palavra de Deus, argumentando que a Bíblia revela claramente a existência de um estado intermediário onde os crentes experimentam a bem-aventurança e os ímpios, o tormento. As passagens bíblicas relevantes serão analisadas para demonstrar a base bíblica dessa doutrina.
O Conceito de Estado Intermediário
O conceito de estado intermediário se refere ao estado da alma após a morte física, mas antes da ressurreição final dos mortos. A doutrina ensina que, nesse período, as almas dos crentes desfrutam de comunhão com Deus, enquanto as almas dos ímpios experimentam sofrimento. A importância dessa doutrina reside no fato de que ela reflete a continuidade da existência consciente após a morte, reafirmando a esperança cristã na ressurreição e na vida eterna.
A Doutrina Bíblica do Estado Intermediário
1. O Estado dos Crentes Fiéis
A doutrina do estado intermediário para os crentes pode ser encontrada em diversas passagens bíblicas que descrevem o destino dos justos após a morte. Um exemplo claro é o relato de Jesus sobre o rico e Lázaro em Lucas 16:19-31, que muitos comentaristas interpretam como parábola, mas de acordo com o contexto da passagem, de fato se trata de uma história verídica utilizada pelo Senhor Jesus, afim de ensinar uma uma realidade espiritual. Nesta passagem, Lázaro, que era um mendigo piedoso, é levado pelos anjos ao "seio de Abraão" após sua morte, um local de conforto e descanso, enquanto o rico, que viveu uma vida egoísta e sem Deus, é atormentado no Hades.
Outra passagem importante é Filipenses 1:23, onde o apóstolo Paulo expressa seu desejo de partir e estar com Cristo, o que ele considera "muito melhor". Aqui, Paulo deixa claro que estar com Cristo após a morte é um estado de bem-aventurança para os crentes. Da mesma forma, em 2 Coríntios 5:8 , Paulo afirma:
"temos confiança e preferimos estar ausentes do corpo e habitar com o Senhor".
Essas passagens indicam que os crentes, ao morrerem, entram imediatamente na presença de Cristo e experimentam conscientes a bem-aventurança.
2. O Estado dos Ímpios e Infiéis
Em contraste com o estado de bem-aventurança reservado aos crentes, a Bíblia também ensina que os ímpios experimentam tormento no estado intermediário. No mesmo relato de Lucas 16:19-31, o rico, que não conhecia a Deus, encontra-se em um estado de tormento consciente no Hades. Este texto sugere que, assim como os justos experimentam paz, os ímpios experimentam sofrimento enquanto aguardam o julgamento final.
Outra passagem significativa é Apocalipse 20:13-14, que descreve a ressurreição final e o julgamento. Antes desse julgamento, os mortos estão no "Hades", um lugar de sofrimento e tormento, aguardando sua condenação final no lago de fogo. Este texto reafirma a existência de um estado consciente de sofrimento para os ímpios antes do julgamento final.
A Resposta Bíblica à Doutrina do Sono da Alma
Alguns grupos cristãos defendem a doutrina do "sono da alma", que ensina que a alma fica inconsciente após a morte até a ressurreição. No entanto, as passagens bíblicas discutidas anteriormente indicam que a alma permanece consciente após a morte.
Lucas 23:43 também desafia essa visão, onde o Senhor Jesus, na cruz, diz ao ladrão arrependido: "Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso". Esta declaração de Jesus indica claramente que o ladrão arrependido estaria em um estado consciente de bem-aventurança no mesmo dia de sua morte.
Conclusão
Portanto como vimos, a doutrina do estado intermediário, conforme revelada na Bíblia, afirma que a alma permanece consciente após a morte e entra imediatamente em um estado de bem-aventurança ou tormento, dependendo do relacionamento do indivíduo com Deus. As passagens bíblicas analisadas demonstram que esta doutrina é bíblica e que a crença no sono da alma não se alinha com o testemunho das Escrituras. Para os crentes, esta doutrina oferece a esperança de comunhão consciente imediata com Cristo após a morte, enquanto para os ímpios, serve como um solene aviso do julgamento vindouro.
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Referências
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Diogo J. Soares