Os Equívocos do Criacionismo da Terra Velha e sua Incompatibilidade com a Revelação Bíblica

 

Os Equívocos do Criacionismo da Terra Velha e sua Incompatibilidade com a Revelação Bíblica

O Criacionismo da Terra Velha (CTV) é uma posição teológica que busca harmonizar a narrativa bíblica da criação com as alegações da ciência moderna sobre a idade do universo e da Terra. De acordo com essa perspectiva, a Terra teria bilhões de anos, e os seis dias da criação descritos em Gênesis deveriam ser interpretados de forma figurativa ou simbólica¹. No entanto, essa abordagem apresenta sérios problemas tanto teológicos quanto científicos. Em contrapartida, o Criacionismo da Terra Jovem (CTJ), posição defendida pelo presente autor sustenta que a Terra tem apenas alguns milhares de anos, baseando-se em uma leitura literal e histórica de Gênesis. Como afirma John MacArthur, "aceitar uma cronologia evolucionista mina a autoridade da Escritura e destrói a base da doutrina cristã"². Neste artigo, analisaremos as falhas do CTV e demonstraremos por que o CTJ se alinha mais adequadamente à revelação bíblica e às evidências científicas.

1. A Incoerência Teológica do Criacionismo da Terra Velha

A Questão da Interpretação de Gênesis

O CTV frequentemente argumenta que os "dias" da criação (hebraico: yôm) podem representar longos períodos de tempo³. No entanto, conforme observa Andrew Steinmann, "sempre que yôm é acompanhado por um numeral no Antigo Testamento, ele se refere a um dia literal de 24 horas"⁴. Essa estrutura gramatical se repete em Gênesis 1, indicando que o autor pretendia comunicar dias literais.

Além disso, John C. Whitcomb e Henry M. Morris destacam que "a estrutura literária de Gênesis não possui paralelos com textos poéticos hebraicos, mas se encaixa na categoria de narrativa histórica"⁵. Se Gênesis for lido de maneira alegórica, como sugerido pelo CTV, abre-se um precedente perigoso para reinterpretar outros eventos bíblicos históricos, como o Êxodo e a ressurreição de Cristo.

O Problema da Morte antes da Queda

Outro problema teológico central do CTV é a aceitação da morte e do sofrimento antes do pecado de Adão. William Lane Craig, defensor da Terra Velha, admite que "o registro fóssil indica a morte de incontáveis criaturas antes do surgimento do homem"⁶. No entanto, isso contradiz diretamente Romanos 5:12, que declara que "por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte". Henry Morris reforça que "qualquer tentativa de harmonizar longas eras com a Bíblia inevitavelmente implica que Deus considerou a morte e o sofrimento uma parte natural da criação muito boa⁷.

Se a morte já existia antes do pecado, então a redenção em Cristo perde seu significado pleno, pois a Escritura ensina que a morte física e espiritual foram consequências diretas da Queda⁸.

2. As Falhas Científicas do Criacionismo da Terra Velha

A Inconsistência com a Geologia Bíblica

O CTV adota a cronologia geológica convencional, que sugere que as camadas sedimentares da Terra se formaram lentamente ao longo de milhões de anos⁹. No entanto, estudos recentes indicam que eventos catastróficos podem depositar camadas sedimentares rapidamente. Steven A. Austin, por exemplo, afirma que "a erupção do Monte Santa Helena, em 1980, demonstrou que grandes quantidades de sedimentos podem ser depositadas em questão de horas, e não de milhões de anos"¹⁰. Além disso, Kurt Wise aponta que "a presença de fósseis poliestratos, troncos de árvores atravessando múltiplas camadas geológicas, desafia a ideia de formação lenta e gradual"¹¹.

A visão de uma Terra jovem também é apoiada por evidências do registro fóssil. Como John Baumgardner observa, "os fósseis indicam um padrão de sepultamento súbito e generalizado, o que é mais consistente com um Dilúvio global do que com processos lentos e graduais"¹².

Problemas com a Datação Radiométrica

Os defensores do CTV frequentemente apelam para métodos de datação radiométrica como evidência de uma Terra antiga¹³. Entretanto, esses métodos baseiam-se em suposições questionáveis, como a constância das taxas de decaimento e a ausência de contaminação do material datado¹⁴. Estudos de John Baumgardner indicam que "fatores externos podem influenciar as taxas de decaimento radioativo, tornando questionáveis as idades calculadas para as rochas"¹⁵.

Além disso, a datação de rochas recentes fornece resultados absurdamente elevados. Steve Austin realizou testes com lavas do Monte Santa Helena e descobriu que "amostras de rochas com menos de 40 anos foram datadas em milhões de anos por métodos convencionais"¹⁶. Isso levanta sérias dúvidas sobre a confiabilidade dos métodos radiométricos na determinação da idade da Terra.

3. O Criacionismo da Terra Jovem como a Melhor Explicação

O CTJ apresenta uma visão que é mais coerente tanto teológica quanto cientificamente. Como afirma Ken Ham, "o verdadeiro conflito não é entre a Bíblia e a ciência, mas entre duas interpretações diferentes dos mesmos dados"¹⁷. O CTJ não apenas preserva a integridade da narrativa bíblica, mas também se alinha com evidências científicas que apontam para uma catástrofe global recente.

Jonathan Sarfati observa que "as tentativas de harmonizar longas eras com Gênesis resultam em compromissos teológicos desnecessários, enquanto a interpretação literal do texto sustenta uma visão robusta da soberania de Deus"¹⁸. Ao contrário do CTV, o CTJ não exige ajustes na teologia cristã para acomodar teorias científicas mutáveis.

Conclusão

O Criacionismo da Terra Velha apresenta problemas teológicos e científicos significativos. Sua abordagem compromete a literalidade de Gênesis, mina a doutrina da Queda e enfraquece a necessidade da redenção em Cristo. Além disso, apoia-se em premissas científicas questionáveis, ignorando evidências que apontam para uma Terra jovem. Como John MacArthur enfatiza, "a tentativa de reinterpretar Gênesis para acomodar a ciência moderna é um erro trágico que compromete a autoridade da Bíblia"¹⁹. A posição mais fiel às Escrituras é a que aceita a criação literal em seis dias e um dilúvio global, conforme descrito em Gênesis. Assim, a Igreja deve permanecer firme na revelação divina, rejeitando compromissos teológicos que fragilizem a Palavra de Deus.

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Notas

1. Hugh Ross, A Matter of Days: Resolving a Creation Controversy, NavPress, 2004.

2. John MacArthur, The Battle for the Beginning, Thomas Nelson, 2001.

3. William Lane Craig, In Quest of the Historical Adam, Eerdmans, 2021.

4. Andrew E. Steinmann, Intermediate Biblical Hebrew: An Illustrated Guide, Baker Academic, 2009.

5. John C. Whitcomb e Henry M. Morris, The Genesis Flood, P&R Publishing, 1961.

6. William Lane Craig, In Quest of the Historical Adam, Eerdmans, 2021.

7. Henry Morris, The Genesis Record, Baker Books, 1976.

8. Ken Ham, The Lie: Evolution, Master Books, 1987.

9. S. Steven A. Austin, Grand Canyon: Monument to Catastrophe, Institute for Creation Research, 1994.

10. Kurt Wise, Faith, Form, and Time, Broadman & Holman, 2002.

11. John Baumgardner, Radioisotopes and the Age of the Earth, Institute for Creation Research, 2000.

12. Jonathan Sarfati, Refuting Compromise, Master Books, 2004.

13. Jason Lisle, Taking Back Astronomy, Master Books, 2006.

14. John MacArthur, The Battle for the Beginning, Thomas Nelson, 2001.

Diogo J. Soares



DIOGO J. SOARES

Doutor (Ph.D.) em Novo Testamento pelo Seminário Bíblico de São Paulo/SP (FETSB); Mestre (M.A.) em Teologia e Estudos Bíblicos pela Faculdade Teológica Integrada e graduado (Th.B.) pelo Seminário Unido do Rio de Janeiro. Possuí Especialização em Ciências Bíblicas e Interpretação pelo Seminário Teológico Filadelfia/PR (SETEFI). Bacharel (B.A.) em História Antiga, Social e Comparada pela Universidade de Uberaba (UNIUBE/MG). É teólogo, biblista, historiador e apologista cristão.

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